Da infância vim. À infância voltarei.

Há tempos tenho pensado no tema infância pelos mais variados motivos: filhos, trabalho ou, simplesmente, curiosidade. E, mesmo que apenas por observações empíricas, tenho chegado a algumas conclusões:

1. A infância é a idade mais importante dos seres humanos! Nela não estamos construindo apenas valores éticos e morais. É lá que estão as memórias mais marcantes da nossas vidas. E quando digo isso não falo apenas em infância. Falo também no envelhecer. Falo em memórias afetivas. Tenho ouvido muita gente reclamar da memória de uns tempos para cá. Memória recente. O que aconteceu há 5 minutos. Entretanto, nossas memórias de infância ficam. Eu, por exemplo, lembro de músicas que aprendi nesta época. Lembro de lugares com detalhes. Lembro de conversas... Ok! Existem estudos que falam que a nossa memória nos apronta peças. Se reconstrói a partir de outras experiências até vividas em etapas diferentes. Mas e quando nos deparamos com doenças que afetam a nossa memória? Nossas lembranças de realidades vividas nos remetem facilmente à infância. E não acredito que seja apenas por que nessa etapa da vida nossos cérebros estão à pleno vapor. Acredito que tenha haver com o que sentimos e da forma como sentimos. Tem haver com os cheiros. Tem haver com afetos. Tem haver com o descobrimento do mundo a nossa volta. A infância então, deveria ser o lugar de paz, serenidade. O lugar onde teríamos o conforto e a segurança. O lugar para onde deveríamos voltar sempre. 

2. Se a infância é a idade mais preciosa da nossa vida, me pergunto: por que existe tanta gente empenhada em destruí-la? Assim pensei em algumas alte:rnativas:

a) Tal qual Pink e Cérebro, essas pessoas tem o objetivo de conquistar e de destruir o mundo;

b)  Essa pessoas não tiveram infância felizes e seguras e por isso querem acabar com as possibilidades dos outros;

c) Essa pessoas não são humanas . São ETs querendo, assim como Pink e Cérebro, conquista e destruir o mundo;

d) nenhuma das respostas anteriores. Eu simplesmente não sei.

 

A impressão que tenho diantes de tantas incoerências que temos vivido não só no Brasil, mas pelo mundo afora, é que já não sabemos quem somos (um dia soubemos de fato?). Não sabemos de onde viemos ou para onde estamos indo. 

 

Costumo usar o clichê que diz que um País sem memória, sem passado, não tem futuro. E, quando temos um futuro repleto de senhores e senhoras em estágio avançado de idade, me preocupo ainda mais com as nossas crianças e adolescentes. Hoje já sem infância. Hoje já sem futuro. Com um amanhã de demência e retorno a que lugar do passado? 

 

Não vou me desculpar hoje pela confusão dos meus pensamentos ou, talvez, imperícia em tentar traduzir essas angústias. É que a minha sensibilidade em relação ao tema me põe em alerta profundo. Acredito que vivemos em estado de calamidade pública e temos feito muito pouco ou quase nada em relação a isto. Talvez por achar que nada disso tem haver com a gente. Eu simplesmente não sei. O pior é que, quando nos encontrarmos em plena infância novamente, em um futuro bem próximo, já não teremos mais tempo para fazer diferente.

 

 

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